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Como provar stalking: 24 mensagens de WhatsApp bastaram para condenação no TJSC, e prints foram aceitos no TJMT

15 de out.
8 min de leitura
Capa Liminar Drops: Assédio vira crime? O que diz a lei do stalking (art. 147-A)

Muita gente acha que stalking só existe quando há ameaça, perseguição na rua ou violência. Uma decisão recente do Tribunal de Justiça de Santa Catarina derruba essa ideia: 24 mensagens de WhatsApp, enviadas em nove dias, bastaram para confirmar uma condenação.


O caso responde, na prática, à pergunta que mais aparece depois do primeiro susto: como provar stalking? A resposta passa por mensagens, áudios e prints, mas também pelo cuidado com a autenticidade de cada um deles.



24 mensagens de WhatsApp e uma condenação por stalking no TJSC

Segundo a reportagem do Jornal Razão, com base no portal JusCatarina, o TJSC julgou por unanimidade, em 17 de setembro de 2026, o recurso de um homem condenado por perseguição contra a ex-companheira, com quem viveu cerca de quatro anos e tem dois filhos pequenos.


A denúncia do Ministério Público de Santa Catarina transcreveu 24 mensagens de WhatsApp enviadas entre 31 de março e 8 de abril de 2025, em que ele cobrava respostas, perguntava com quem ela estava ("Tá acompanhada") e insistia em reatar. Não houve ameaça nem agressão.


Por que "só mensagens" foram suficientes

O tribunal entendeu que a ausência de ameaça ou violência não descaracteriza o crime, porque a lei também pune a insistência repetida que invade ou perturba a liberdade ou a privacidade da vítima. Segundo o acórdão, pretender reatar o vínculo não autoriza cobranças persistentes.


As provas incluíram os registros das conversas, o boletim de ocorrência, o pedido de medida protetiva, o depoimento da vítima, que relatou medo e a presença dele perto da casa, e a admissão do próprio réu de que mantinha contato para tentar reatar.


  • Pena: 10 meses e 24 dias de reclusão, em regime inicial semiaberto;

  • 18 dias-multa;

  • Indenização de R$ 5 mil por danos morais;

  • Regime mais rigoroso por duas condenações definitivas anteriores;

  • Penas alternativas negadas por se tratar de violência doméstica contra a mulher.


Sabia?

O ponto central do stalking é a repetição. Uma mensagem isolada raramente configura o crime. Mas dezenas de mensagens em poucos dias, mesmo "educadas", podem caracterizar perseguição quando invadem a liberdade ou a privacidade da vítima.




O que a prova precisa mostrar: repetição, medo e autoria

Em um processo por stalking, a vítima precisa mostrar três coisas: que a conduta se repetiu, que ela causou medo ou invadiu sua liberdade e quem foi o autor. A mensagem, o áudio e o print são as ferramentas mais comuns para isso.


O problema é que cada uma dessas ferramentas pode ser contestada. A defesa pode alegar que a conversa foi editada, que faltam trechos ou que o número não pertence ao acusado. Por isso, o modo como a prova é preservada importa tanto quanto o seu conteúdo.


É nesse ponto que a Trust Track entra: as mensagens, os perfis e os áudios são registrados com hash de integridade e carimbo de tempo, com cadeia de custódia documentada, e viram um relatório técnico que a vítima ou o advogado pode juntar ao processo.



A condenação em Santa Catarina não é um ponto fora da curva. Outros tribunais vêm tratando mensagens, prints e áudios de forma parecida, e o Superior Tribunal de Justiça tem fixado parâmetros sobre quando essas provas valem.



Como os tribunais tratam prints e áudios em casos de perseguição

Em 2 de março de 2026, a 3ª Câmara Criminal do TJMT manteve, por unanimidade, a condenação por ameaça e perseguição de um homem que enviou mensagens intimidatórias, de forma repetida, ao pai da vítima, em um contexto de violência doméstica (processo 1016547-86.2023.8.11.0042, relator Gilberto Giraldelli).


A defesa alegou falha na cadeia de custódia e falta de autenticação dos prints. O colegiado rejeitou o pedido porque não havia indício de adulteração e os registros eram confirmados por outros elementos do processo.


Para a Câmara, o envio reiterado de mensagens a familiares, inclusive por perfis diferentes, basta para caracterizar o stalking, mesmo sem contato direto com a vítima.


Áudios gravados no celular também valem

Em março de 2025, a 4ª Turma Recursal do TJPR manteve a condenação de um homem que perseguiu o ex-chefe após ser demitido: 6 meses e 22 dias em regime aberto. As provas foram áudios gravados no celular e depoimentos. A defesa questionou a autenticidade, mas, segundo o tribunal, não apresentou elementos que justificassem a nulidade.


O padrão se repete: o conteúdo ajuda a condenar, mas a autenticidade é o ponto em que a defesa costuma atacar. Quem tem como mostrar a origem e a integridade do arquivo reduz muito esse risco.


O que diz o STJ sobre prints entregues pela vítima

Em 21 de outubro de 2025, a 5ª Turma do STJ decidiu, no AgRg no AREsp 2.967.267-SC, que prints entregues por um particular, confirmados em juízo e sem sinais de manipulação não violam a cadeia de custódia (art. 158-A do CPP).


Em março de 2026, a 6ª Turma, no AgRg no HC 1.014.212-ES, lembrou que, havendo dúvida razoável sobre a integridade ou a autenticidade, é necessária perícia. Em outras palavras: o print entregue pela vítima é aceito, desde que ninguém levante uma dúvida plausível sobre ele.


Esse é o ponto delicado para quem está sendo perseguida. Um print solto, sem data confiável e sem outros elementos, deixa o caso exposto a essa dúvida. Já um conteúdo registrado tecnicamente fecha a porta para a maior parte dos ataques.


E o que a vítima pode esperar de pena, prazo e indenização quando a prova é boa? É o que veremos a seguir.



Valores e prazos: pena, indenização e prazos de quem sofre stalking

A pena do art. 147-A é de reclusão de 6 meses a 2 anos e multa, com aumento de até metade em casos como o de mulher por razões de gênero, idoso, criança ou adolescente. No caso de Santa Catarina, a pena ficou em 10 meses e 24 dias, em regime semiaberto, por conta da reincidência.


Quanto à reparação, o TJSC fixou R$ 5 mil de dano moral. Para comparação, em julho de 2025 o TJMT fixou R$ 1.320 em outro caso de perseguição e violência psicológica. A variação mostra que o valor depende do caso, da duração, do abalo e da prova do dano.


Prazos que a vítima não pode perder

Em regra, a perseguição depende de representação da vítima, com prazo de 6 meses a partir da ciência de quem é o autor (art. 103 do CP e art. 38 do CPP). A prescrição punitiva em abstrato, com pena máxima de 2 anos, é de 4 anos (art. 109, V, do CP).


E a ação de indenização por dano moral prescreve, em regra, em 3 anos (art. 206, §3º, V, do Código Civil).


O prazo de vida da prova também importa. Mensagens podem ser apagadas, números trocados e perfis excluídos a qualquer momento. Se a vítima espera o processo começar para organizar a prova, pode descobrir que ela já não existe.


Ferramenta sugerida: Calculadora Jurídica da Trust Track

Para ter uma noção de quanto pode valer um caso de perseguição antes de decidir o próximo passo, use a Calculadora Jurídica da Trust Track. Ela ajuda a estimar faixas de indenização por dano moral considerando a duração da conduta, o abalo psicológico e as provas disponíveis.


Banner da Calculadora Jurídica da Trust Track para estimar indenização por danos morais


Com os valores e os prazos em mente, o passo mais importante é o prático: o que fazer, hoje, para que a prova de uma perseguição resista até o fim do processo.



Como preservar mensagens, perfis e áudios de um perseguidor

A vítima de stalking costuma estar sob forte estresse, com medo e pressa. Nesse estado, o impulso natural é apagar tudo, bloquear o perseguidor e tentar esquecer. Esse impulso destrói exatamente o que sustentaria a condenação e a indenização.


O caminho mais seguro é registrar o conteúdo na Trust Track antes de bloquear. Cada mensagem, áudio, imagem e perfil é coletado com hash, carimbo de tempo e cadeia de custódia, e a vítima recebe um relatório técnico que o advogado ou a delegacia pode usar.



Quais provas reunir

Especialistas listam como provas de perseguição virtual as conversas, os links de publicações, e-mails, vídeos e gravações, registros de chamadas, o histórico de mensagens, a identificação dos perfis usados e as testemunhas. A regra comum é não apagar nada antes de preservar.


  • Conversas completas, com data e hora, sem recortes;

  • Áudios e vídeos recebidos, no formato original;

  • Perfis, números e contas usados pelo perseguidor, inclusive os criados depois do bloqueio;

  • Registros de chamadas e tentativas de contato;

  • Boletim de ocorrência e pedido de medida protetiva;

  • Testemunhas que presenciaram episódios.



Ata notarial: quando faz sentido

Em casos mais graves, a vítima também pode levar o aparelho a um tabelionato para lavrar uma ata notarial (art. 384 do CPC), que registra o que o tabelião viu na conversa, com fé pública.


A ata ajuda, mas não substitui o registro técnico: ela atesta o que foi visto naquele momento, mas não garante, sozinha, a autenticidade material do conteúdo.


Combinar os dois dá mais segurança: a ata fixa o que foi visto com fé publica, e o registro da Trust Track mostra que o arquivo coletado não foi alterado. Se a prova for contestada, o juiz pode determinar perícia, e o relatório técnico facilita esse exame.


Como outros países lidam com a prova de stalking

Nos Estados Unidos, a cantora Sabrina Carpenter obteve, em 2026, uma ordem restritiva temporária que obrigou um homem a ficar a pelo menos 91 metros dela e de sua casa, segundo a imprensa, com base no site TMZ. O pedido descreveu episódios com datas definidas (23 e 25 de maio) e uma audiência marcada para 17 de junho.


O exemplo mostra como a documentação de episódios, com datas e locais, ajuda a embasar uma decisão rápida de proteção.


A lição vale para o Brasil: quanto mais organizada e verificável a prova, mais rápido o juiz consegue conceder medidas de proteção e mais difícil é para a defesa derrubar o conjunto. Para conhecer a rede de quem já passou por situações parecidas, veja os benefícios de fazer parte da comunidade Trust Track.



Checklist rápido: como provar stalking nas primeiras 24 horas



"Pretender reatar o vínculo não autoriza cobranças persistentes." — síntese do fundamento adotado pelo TJSC, segundo reportagem do Jornal Razão a partir do JusCatarina.

Se o perseguidor usa vários números e perfis, ainda dá para provar que é a mesma pessoa?

Dá, mas exige trabalho de organização. No julgamento do TJMT de março de 2026, o tribunal considerou que mensagens enviadas por perfis diferentes bastaram para caracterizar a perseguição. Para ligar os perfis ao autor, vale reunir elementos como o conteúdo (assuntos e expressões repetidas), os horários, os dados vinculados às contas e, se necessário, requerer judicialmente os registros às plataformas. O registro técnico de cada perfil e mensagem, com hash e carimbo de tempo, ajuda a mostrar a continuidade entre eles. A decisão sobre a autoria é sempre da autoridade policial e do juiz.



Perguntas frequentes sobre como provar stalking

Print de WhatsApp prova stalking?

Pode provar. O TJMT, em março de 2026, aceitou prints entregues pela vítima e confirmados por outros elementos, sem indício de adulteração. Mas se houver dúvida plausível sobre a autenticidade, pode ser exigida perícia, como lembrou o STJ em março de 2026.


Preciso de testemunhas para provar perseguição?

Não é obrigatório. Os tribunais têm dado relevância ao depoimento firme e coerente da vítima, principalmente em casos de violência doméstica, quando acompanhado de outros elementos, como mensagens e registros. Testemunhas ajudam a reforçar.


Quanto tempo tenho para denunciar?

Em regra, 6 meses a partir do momento em que você sabe quem é o autor para apresentar a representação, e 3 anos para pedir indenização civil. Quanto antes você registrar e preservar a prova, menor o risco de perder prazos ou conteúdo.



Próximo passo: transforme as mensagens em prova que resiste

Quer ver, na prática, como a Trust Track registra mensagens, áudios e perfis com hash e carimbo de tempo antes que eles desapareçam?

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E se você só quer uma primeira noção do valor do seu caso, use gratuitamente a Calculadora Jurídica da Trust Track e tenha um número de referência em minutos.

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